ENTREVISTA COM A DEPUTADA ESTADUAL OLÍVIA SANTANA

ENTREVISTA COM A DEPUTADA ESTADUAL OLÍVIA SANTANA

Por: Kamila Silva

 

Bahia Black – Como você vê o fato do estado da Bahia, que possui a maior população negra fora do continente Africano, ter somente agora, em 2019, uma mulher negra ocupando uma cadeira na Assembleia?

Resposta – Pois é, na Bahia deveria ser comum mulheres negras ocuparem espaços de poder na política, mas isso não acontece. Sempre digo que precisamos de uma reforma eleitoral democrática, com possibilidades de mecanismos de participação social mais amplos, e que envolvam mulheres, negros e pobres. Sonho com o dia dessa ocupação ser algo comum e não inusitado.

 

Bahia Black – Quais políticas você acredita que poderia reduzir essa defasagem?

Resposta – Como tinha mencionado anteriormente, temos que ter mecanismos étnico-raciais de divisão, de distribuição econômica na hora do financiamento das campanhas. Não dispomos de uma rede de relacionamento rica. Precisamos mexer com essa estrutura tão cristalizada, com exceções.

 

Bahia Black – Nesses primeiros meses de mandato, quais são suas principais ações na Assembleia e qual ou quais você mais se orgulha do ponto de vista de avanço às minorias?

Resposta – Estamos nos empenhando bastante para fazer um mandato conectado com os movimentos sociais que me elegeram, o movimento negro, o movimento de mulheres, os movimentos sindicais, os operários da construção civil, domésticas, o pessoal ligado ao esporte e a frente LGBTQI+. Também estamos apresentando projetos de lei e indicativos com intuito de contribuir com geração de emprego e renda, os microempreendedores e com a Economia Solidária.

 

Bahia Black – Politicamente falando, quais são os seus planos para a eleição de 2020? Pretende se candidatar a prefeita ou vice-prefeita? Se sim, nos diga a importância de ter você, uma mulher negra, ativista e militante administrando Salvador.

Resposta – É importante criar uma frente de “força política mais capaz de agregar” para levar o grupo do governador Rui Costa a vencer as eleições para prefeitura de Salvador. Se meu nome servir para o projeto maior estará à disposição. Ressalto que não trabalho com desejo pessoal, e sim com a perspectiva política

 

Bahia Black – Como você vê a política da atual prefeitura de Salvador em relação a bairros mais pobres, às periferias e favelas e às minorias?

Resposta – As desigualdades socioeconômicas fazem da nossa amada Salvador uma cidade fraturada, repartida entre poucos que têm muito e muitos que nada têm. Aqui a concentração de renda é a maior entre as capitais. No ano passado, enquanto os 10% mais ricos tiveram rendimento médio de R$ 8.895, o rendimento dos 40% mais pobres foi de míseros R$ 280 reais.

O racismo e as desigualdades de gênero são partes integrantes do modelo econômico e social excludente que se desenvolveu na nossa terra.

Precisamos refletir sobre a cidade que queremos e buscar um outro modelo de desenvolvimento que nos una e nos proporcione equilíbrio social.

 

Bahia Black – Qual a sua interpretação sobre a fala de Audre Lorde? “O silêncio não vai te protejer”

Resposta – Acho que é essencial, principalmente quando falamos na sobrevivência das mulheres negras. Temos que quebrar o silêncio e jamais permitir, só porque somos oprimidas, a legitimação da opressão.

 

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