NESTE DOMINGO TEM APARIÇÃO DO NEGO FUGIDO, EM ACUPE DE SANTO AMARO

NESTE DOMINGO TEM APARIÇÃO DO NEGO FUGIDO, EM ACUPE DE SANTO AMARO

Todos os anos, os domingos do mês de julho na comunidade de Acupe, distrito de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, são para celebrar uma das mais importantes manifestações culturais da história da Bahia: a aparição do Nego Fugido, que ocorre pelas ruas da cidade, celebrando o protagonismo do negro na luta pela liberdade da escravidão.

Além do Nego Fugido, desfilam Caretas, Mandus e Bombachos sempre a partir das 14h do domingo. Este ano, os destaques são a homenagem ao Mestre Messias de São Brás e a construção da Casa de Cultura do Nego Fugido, inciativa dos próprios moradores de Acupe que possibilitará diversas atividades culturais na localidade, além da guarda do acervo e da memória desta manifestação popular. A encenação do Nego Fugido é realizada há mais de um século pela comunidade de remanescentes quilombolas de Acupe, e reconstitui a história oficial da escravidão no Brasil. De forma contrária à narrativa oficial de que o negro ganhou a liberdade do colonizador – e pelas mãos da Princesa Isabel -, o Nego Fugido coloca a população negra como protagonista da sua liberdade.

Ao transformar as ruas do distrito em um grande cenário a céu aberto, encenando o Nego Fugido, os moradores de Acupe evocam as experiências e memórias traumáticas acerca da escravidão no Recôncavo, entrelaçadas ao momento social e político atual. Este ano, os moradores decidiram homenagear um grande guardião da cultura local, o Mestre Messias, defensor da capoeira do Recôncavo, falecido no início do ano aos 91 anos. “O Nego Fugido é um processo de resistência que coloca o negro como protagonista e rememora a luta pela liberdade e o fim da escravidão. A liberdade do negro se deu por batalha, batalha não só dos vivos. Nesta festa celebração da resistência os mortos ressurgem para exigir a carta de alforria”, explica Monilson dos Santos Pinto, mestre em Artes Cênicas pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e integrante da Associação Cultural Nego Fugido.

 

Foto: Alex Dantas